Twitter, alfinetadas e análise do discurso

0saves

Existem inúmeros pesquisadores que trabalham a análise de discursos, e dentre os teóricos mais importantes dessa área de estudo está Dominique Maingueneau. Esse moço aí cunhou o termo “aforização”.

A essência desse termo foi concedida durante um evento em 2007 e faz referência à proposta de um autor de ter parte do seu discurso destacado por demais. Trata-se de lingüística, e como a proposta desse blog não é um aprofundamento acadêmico na discussão, vou resumir superficialmente a “aforização” como a “estratégia” de se criar textos para que estes sejam citados.

Em minha humilde, leiga e empolgada observação acerca dos discursos políticos feitos para as redes sociais, sinto ares de aforização (por mais que, talvez, a equipe de comunicação dos candidatos a faça de forma incosciente). Textos são twittados com objetivo de aparecer no tablóide que selecionam as “melhores” mensagens publicadas no microblog, ou ainda com a intenção de “cutucar” adversários. É uma estratégia válida.

Para exemplificar um pouco disso e como o sujeito oculto tem se mostrado. Pensemos em uma situação de Minas Gerias, olhando o Twitter de dois candidatos ao senado: Fernando Pimentel e Itamar Franco.

Os dois recebem um considerável apoio dos eleitores mineiros, mas como em qualquer batalha, recebem pedradas. A polêmica mais recente entre esses dois é a questão dos suplentes que os-acompanham.
Por causa desse papo de suplente, é possível sentir alfinetadas pairando nos Twitters dos dois. Chega a ser divertido observar, principalmente quando conseguimos identificar o alvo da cutucada “abstrata”.
Vejamos:

Antes de entrarem na minha idéia é legal relembrar o que fala Roland Barthes sobre leitura. Qualquer texto é uma obra inacabada, já que é o receptor que irá atribuir sentido à mensagem, portanto, essa é a minha interpretação, podem haver outras, claro.


Nesse tweet feito por Pimentel (que aqui em BH tem sido chamado de “motoboy, pois tudo que você dá para ele o cara entrega” – como a prefeitura de BH, que foi entregue à Márcio Lacerda por coligações no mínimo estranhas) dá para sentir que ele direciona o discurso para a polêmica dos suplentes. Mas ao tentar indiretamente falar do vice do seu concorrente ele acaba é vacilando ao defender Virgilio Guimarães, o cara que apresentou Marcos Valério aos dirigentes do PT e foi CONTRA o Ficha Limpa. Oi???
A idéia de atacar de forma sutil foi boa, Pimentel, mas o texto que você usou foi muito preocupante. Orgulhar de trabalhar com esse cara é UÓ.


Vamos agora ao Twitter do sô Itamar. Aqui, meus caros, outra alfinetada flutua. Ffff (onomatopéia do barulhinho do vento, saca? Coloca os dentes de cima no lábio debaixo e dá uma sopradinha. Isso!).
O que rola nesses poucos caracteres aí é uma pisada no calo alheio. O topete tá falando da declaração que a Dilminha fez sobre o Pimentel. Ela fala que ele será o “seu” senador. Mas comassim, dotôra? Apoiar o senador é uma coisa, mas colocar o dele na reta é piração.
Nesse vídeo de “apoio”, ela fala: “Caso seja eleita precisarei muito dele no senado”. Ah tá, sei.

Esse papo aí já rendeu até outra Twittada/alfinetada do Itamar. Afiadinho, hein?

Resumindo, meu povo, eu acordei acadêmica demais nesse setembro lindo que anuncia já que as eleições estão por perto e resolvi compartilhar com vocês essas reflexões sobre usos do Twitter.

Ficar só no Twittar cheio de agenda e de links não pode. Usar esses artifícios de conteúdo é uma boa sim, mas usar a ferramenta de forma inteligente e POLÍTICA é bem saudável.

Acho que é o Boechat, da Band, que fala que é bom quando vemos o circo pegando fogo entre eles, porque é assim que podemos ter certeza de que eles estão trabalhando (tipo, defendendo seus próprios interesses, ou não). Quando tudo fica harmonioso demais, é sinal de alerta, alguma coisa errada está acontecendo.
Boto fé nas alfinetadas via Twitter.

Related Posts with Thumbnails
If you enjoyed this post, please consider leaving a comment or subscribing to the RSS feed to have future articles delivered to your feed reader.
This entry was posted in Estratégias, IMHO, Nas redes and tagged , , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

2 Responses to Twitter, alfinetadas e análise do discurso

  1. Janderson says:

    Pode ter certeza que essa eleição está sendo a mais “atrapalhada” de todas, por que os candidatos estão mais preocupado em “cutucar” os outros candidatos só para terem volta do que foi dito. Com isso eles (acessória e candidato) ficam debatendo o que vão falar em público, mas não chegam a um acordo e o que é expressado é a opinião dos dois, assessor e candidato, de uma forma misturada, saindo então as lambanças que estão ‘vazando’ a cada palavra dita e digitada, principalmente ditas nos telejornais, quando o apresentador pergunta algo que o candidato não estudou e o mesmo fica rindo e tentando explicar de maneira tosca possível. É eleição Raquel, é eleição…

  2. Pingback: Eleições de 2010 na internet | Eleições